Uma vez que o Espirito aparece na cena histórica, ele não é uma abstração, mas um fato.
O Espírito aparece na realidade concreta como universal e particular, pois o princípio puramente abstrato, segundo Hegel, não está em parte alguma da existência.
O Espírito é um universo cujas particularidades existem, ou seja, as pessoas e os povos; devendo haver na realidade o particular, desaparecendo constantemente, em função de reforçar o universo (o conjunto de todas as coisas) através da sua mente e transfiguração.
Este, universo, por sua vez, embora em fazes temporais mais prolongadas, morre e se transforma, sempre se aproximando ainda mais da Ideia pura do Espírito.
Assim, temos então a oposição dialética entre:
Indivíduos e povo → povo e Espirito do Mundo
Esse Espírito do Mundo, incorporado em um povo, é o “principio do povo”, o Espírito Nacional ou Volkgeist. Assim, os indivíduos, até onde são historicamente ativos, incorporam o Volkgeist e através dele o próprio Espirito do Mundo.
Os “indivíduos” primários, em que o Espírito ou Liberdade se incorpora mais imediatamente e diretamente, são os povos e as nações da terra, vistos não com olhos de nacionalistas limitados, mas com os do filósofo cósmico.
Por Estado ou nação, Hegel entende uma cultura ou civilização, uma organização de Liberdade. Não no sentido de licença, mas no de Liberdade organizada, a qual só é possível nos Estados. Por tanto não há história, a menos que haja Estados organizados.
Esse Espírito Nacional como diferenciação do Espírito Universal é que define toda a vida cultural de um povo, proporciona sua Gestalt (forma, aparência) nacional, seu clima e seu ambiente cultural.