A história para Hegel é o desenvolvimento do Espírito no tempo, assim como a Natureza é o desenvolvimento da Ideia no Espaço.
Assim temos:
A ideia se desenvolve no espaço (Presente) e a história no tempo (Passado/ Futuro)
A base do pensamento Hegeliano está na Ideia, na Natureza e no Espírito.
Assim temos:
A Ideia-em-si (Ideia-em-si-mesma) — Ela é o movimento que move a “Realidade Dinâmica”, está sempre antes ou depois do mundo; da Natureza (mundo = natureza).
Sua Antítese é a Ideia-fora-de-si (Ideia-fora-de-si-mesma) — Está no espaço, no mundo, isto é, na Natureza. Já a Natureza é composta pelos reinos minerais e vegetais, por onde a Ideia passa até que consiga se desenvolver na consciência do indivíduo; tornando-se consciente de si.
É como se a natureza ou o ambiente gera-se a força para possibilitar a Ideia. A Natureza é a própria força (força bruta como diria Peirce).
Essa autoconsciência da Ideia, pelo indivíduo é o Espirito (o espirito é a antítese da Ideia e da Natureza). Quando a Ideia se desenvolve na consciência torna-se História.
A história e a Ideia estão inter-relacionadas, ou seja, tem uma relação mutua com outros elementos.
Algo como:
História → Natureza ou Mundo Real / Individuo ← Ideia
A Ideia é a natureza da vontade de Deus e essa Ideia só se torna verdadeiramente ela mesma na história e através dela. Assim, Deus não apenas contem, mas é a história; a história para Hegel não é aparência, ela é a realidade de Deus.
Deus e o mundo pertencem um ao outro, sem o mundo Deus não seria Deus. Então, produzir o conhecimento de Deus através de um conhecimento da História é a tarefa da filosofia, em especial, da filosofia da história.
Além disso, a filosofia tem uma missão ética. Pois assumindo que Deus é bom, e sabendo que a história é necessariamente otimista. O medo de acidente é superado através da não observação contingente (que ocorre por acaso ou por acidente). O que perece não merece sua existência, a não ser como um passo em direção ao bem.
O tempo físico, junto do espaço, cabe no sistema Hegeliano para a Natureza, pois ela (a natureza) se desenvolve no espaço-tempo físico.
Já o espirito se desenvolve no tempo da consciência. Esvaziando-se e se externalizando na história. (não entendi muito bem essa parte — p. 22)
Como a Ideia-em-si se desenvolve na pureza da dialética lógica, assim a Ideia-fora-de-si, como Natureza, se desenvolve na forma do Espaço.
E o Espírito (a Ideia-em-si ou Ideia-por-si-mesma), ele se desenvolve na forma de Tempo. O tempo da Consciência do Espírito.
O Tempo, então, é para o Espírito o que a estrutura lógica é para a Ideia. É a contrapartida concreta da lógica no reino do Espírito.
Ou seja, dá corpo, sustenta, fundamenta, concretiza…
A ciência da Ideia é a de estrutura lógica, ou seja, lógica; já à da Natureza é a do Espaço, ou seja, a geometria; e a ciência do Espírito é a do Tempo, ou seja, a história.
O Espirito é a ideia concreta, a sequência de acontecimentos históricos é ao mesmo tempo, temporal e lógica. Sendo temporal até onde é o autodesenvolvimento do Espírito e lógica até onde é o autodesenvolvimento da Ideia.
O autodesenvolvimento da ideia transforma essa sequência temporal em consequência lógica. Mais uma vez, como a diferenciação lógica da ideia se torna temporal no curso das diferenciações futuras, o tempo é apenas uma outra dimensão. Segundo o espaço e estrutura lógicos do desenvolvimento da ideia.
Esse processo temporal é apenas uma outra espécie de processo que segue dialeticamente ao processo lógico, que é o processo essencial da Ideia-em-si, e ao espacial, que é o processo essencial da ideia-fora-de-si, ou Natureza.
O espaço e a dinâmica lógica são antíteses. Isso quer dizer que onde o espaço for dinâmico o mesmo deve acontecer com o tempo. Assim, como Hegel deixa claro, a história está tanto no espaço como no tempo, ela ocorre tanto na Natureza como na mente.
Com isso conclue-se que a história é o resultado da dinâmica da ideia divina, o qual é por sua vez a essência de Deus. Sem essa concretização a ideia-em-si não é real, assim como nenhuma coisa tem existência completa sem o ideal nela.
Ou seja, o universal se completa no particular e o particular no universal. Essa doutrina do universal concreto em nosso texto é aplicada ao relacionamento entre o Espírito ou história Universal e o individuo humano, em que, e através do qual, o Espirito se torna concreto.
Isso ocorre, pois o individuo é mortal e o Espirito é eterno. Essa tensão entre a transitoriedade da vida individual e a eternidade da história, entre o espírito e suas propiás fases históricas, constitui a dialética da história.
O Espirito não desaparece quando a vida que o leva desaparece. O grande espetáculo da história continua. Sobre isso, compreende-se que o espirito ganha a consciência de seu próprio passado, ou seja, “daquilo que foi” e assim reaparece depois de cada desparecimento daquela fase particular, em uma nova fase particular que inclui os pensamentos da anterior.
“O Espírito sempre possui nas profundezas de seu presente os pensamentos que parece ter deixado para trás”.
Na desintegração de suas fases particulares o Espirito ganha sua universalidade. Sendo o pensamento enriquecido com o passado em cada fase particular que vai passando. Esse movimento da realidade é a condição para a vida do Espírito que progride sempre. Assim, o processo histórico é para Hegel à auto-apresentação e auto-perpetuação do Espírito cada vez mais claras.
Mas o Espirito não é enriquecido apenas aprendendo o concreto em sua passagem, alguns acontecimentos estão antes mais, e outros menos, em acordo com o Espírito. Pois ele não é apenas quantitativo, ele também tem uma qualidade, um objetivo, uma direção. Essa realidade que irá durar mais e que prevalecera no caos de acontecimentos cuja qualidade se parece mais com aquela do próprio Espírito, chama-se Liberdade