O homem é parte Natureza e parte Espírito, mas sua essência é o Espírito, pois quanto mais o individuo se desenvolve espiritualmente mais ele se torna consciente de si mesmo e quanto mais ele se torna consciente de si mesmo, mais ele se torna ele mesmo, ou seja, livre.
O desenvolvimento do Espírito em direção à consciência de si na história do mundo é o desenvolvimento para uma Liberdade sempre mais pura. Então, a história do mundo é o avanço da Liberdade, porque ela é o avanço da autoconsciência do Espírito.
O Espírito é essencialmente reflexivo e faz necessariamente de si uma certa ideia, de sua propiá Natureza. Sobre a imposição desse processo ele chega a um conteúdo, na sua reflexão. Não descobrindo um conteúdo, mas colocando-se em seu próprio objetivo, em seu próprio conteúdo.
O conhecimento é a forma e orientação do Espírito, assim, o conteúdo do conhecimento é o espiritual em si, com isso o Espírito está essencialmente consigo, ou seja, livre. Isso se dá, pelo fato de que o Espírito é visto pelo seu oposto, e não na sua natureza em si ou na do indivíduo. Seu oposto é a Matéria, pesada porque na gravitação, cada pedaço de Matéria luta contra algo fora de si mesmo. O Espírito, por outro lado, contém a si.
A Matéria tem substancia fora de si e o Espírito, por outro lado, está sendo em si mesmo, e é precisamente isso que é Liberdade.
A liberdade, como o Espírito, é dinâmica e progride dialeticamente contra seus obstáculos. Ela já mais é dada, devemos Lutar para obtê-la, tendo em vista que cada afrouxamento do Espírito significa voltar à inércia da matéria, o que por sua vez significa a destruição da Liberdade, quando os indivíduos estão sujeitos a matéria, por exemplo, na pobreza, na doença, no frio, na fome, ou quando estão sujeitos a outros indivíduos e são usados por estes como objeto.
Por outro lado, o Espírito ao superar assim seus próprios obstáculos elaborando e compreendendo a si mesmo na história é continuamente criativo, o que não é nada ontologicamente novo, essa criatividade é predeterminada na potencialidade pura da Ideia pura. Sendo a Ideia-em-si, a Razão, que se completa na história.
Então, no sentido do indivíduo que se torna o próprio conteúdo, fica entendido que essa questão está embutida na Razão Pura, onde o processo da ideia-em-si, que vira a ideia-fora-de-si; é a potencialidade da Razão se realizando e se completando na Natureza, isto é, na história.